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Após o sucesso dos e-books (livros on-line) “Marketing político internacional” e “Propaganda política brasileira” com 17 mil e 7 mil acessos, respectivamente, o prof. dr. Adolpho Queiroz lançou este mês uma nova obra pela web sobre as eleições brasileiras.

Entitulada “Estratégias de propaganda política, reflexões sobre as eleições brasileiras”, a publicação foi realizada com base nos trabalhos apresentados no VII Politicom, que ocorreu em 2008, em Itu, interior paulista. Além disso, o prefácio da obra conta com a presença de José Marques de Melo, um dos maiores especialistas em comunicação do país.

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Opinião Publica e Comunicação Política na transição democrática – Tese de Doutorado apresentada por Jose Reig Cruanes – Dirigida pelo Doutor D.Emillio La Parra Lopes.

 

Tenha acesse ao material clicando aqui

 

Boa Leitura!! Até a próxima!

Jirres Edmundo

O jornalista Marcelo Tas, curador do módulo Mundo virtual: relações humanas, demasiado humanas, acredita que estamos vivendo um momento de transição midiática. Neste entrevista, o jornalista ainda fala sobre o papel dos políticos diante das novas tecnologias.

08 de outubro de 2010, 9:59

No quesito estratégico do momento político, o uso da ferramenta ainda não agregou valor de fato. Mas a verdadeira revolução humana se dará através da rede e o Brasil tem potencial para conduzir este processo.

Por Klaus Denecke-Rabello

Desde a eleição de Obama especulou-se muito sobre como seria o “efeito Obama” nas próximas eleições brasileiras. Pois bem, as eleições chegaram e o “efeito Obama” não foi sentido – ao menos não na sua magnitude.É como se o furacão fosse perdendo força e chegasse aqui como vendaval; daqueles que mexem, mas nem tanto, com o cabelo laqueado (ou a falta de cabelos, em alguns casos), de alguns candidatos. Outras, prevenidas, preferem andar com o cabelo preso.Fato é que muito se esperou e pouco se viu. São inúmeros os motivos, aqui os dois principais:

  • A realidade democrática é díspare, pois lá nos EUA há necessidade de convencer o eleitor a votar, já que o voto é facultativo; aqui a obrigatoriedade impera.
  • E isto, pode não parecer, muda muito as coisas. Em termos de pensamento e destino político e, consequentemente, em termos de comunicação política.
  • Muda, mas não deveria, pois representa um comodismo que apequena o potencial de relação candidato-eleitor.
  • O crescente número de usuários não reflete um uso costumeiro da internet como meio de interação com assuntos mais sérios; a cultura de interação (participação interativa com o todo) ainda está se consolidando em nosso país quebrando barreiras tecnológicas, educacionais e, principalmente, culturais.

Além da superficialidade da web

O gritante deste processo político é que a utilização da web foi extremamente superficial e conduzida de maneira questionável.Uso de mídia social como monólogo e atualização da agenda é o mínimo: pouco se fez de diferente para explorar o potencial de relacionamento. E quando fora feito, o apelo não fora espalhado devidamente, caso da criação colaborativa de planos de governo de alguns candidatos.Outro erro fundamental foi a pouca convergência de esforços on e offline, mas principalmente em termos de ações digitais, com candidatos chegando a ter três sites distintos e com uma arquitetura da informação que não brinda a disseminação viral.

O (não) uso estratégico das ferramentas

O uso do Twitter também foi aquém, basicamente todos o utilizaram para atualizar sua agenda, como observou minha aluna da ESPM Alice Araújo em seu artigo em nossa #comunadigital: Dilma o utilizou para reforçar elementos de sua campanha; Serra para se humanizar e responder a perguntas; Marina para indicar e ampliar seu arsenal de fontes, mostrando-se bem informada e generosa através da distribuição de links de referência.Destaque para o tucano Serra que seguiu mais pessoas que seus concorrentes, mostrando assim maior interesse: aproveitou o alcance da meta de seguidores e criou o #serraresponde para servir de resposta para o auto-criado #pergunteaoserra.Contudo, são os seguidores e eleitores de Marina que mais têm poder de mobilização, tendo colocado o nome da candidata no TT mundial do Twitter, indicando alta viralidade das hashtags empregadas no movimento entitulado “twittaço” em alusão ao apitaço: #ondaverde e #marina43 figuraram durante inúmeros dias entre os TTs (trending topics) do Twitter.É de Marina Silva também uma ação de incentivo à participação individual, buscando a criação de “casas de Marina”, “comitês” capilar e democraticamente disseminados por todo o Brasil – todavia, quando fui acessar o link, este se encontrava com defeito.A questão a ser levantada aqui é simples: no quesito estratégico do momento político o uso da ferramenta agregou de fato valor? A resposta é um estrondoso não.Dilma poderia ter indicado links para benefícios e conquistas do governo que representa, incluído comparativos com governos anteriores; Serra poderia ter indicado links sobre a importância de suas realizações e de um segundo turno, bem como de suas acusações; Marina deveria ter ressaltado as possibilidades, viabilidades e diferenciais de sua proposta com links para arquivos/sites multimídias que por sua vez deveriam ser propagáveis pela rede.Tweets sobre agenda foram e são tweets nati-mortos.

Cadê o diferencial?

Os nichos foram muito pouco trabalhados e a sedução oriunda dos recursos multimídia, principalmente animações na apresentação, comparação e exposição de propostas, pouquíssimo explorada.A acessibilidade, que deveria ser item básico, uma commodity, se tornou um potencial diferencial pela falta de preocupação dos sites oficiais com o acesso universal garantido na constituição, como vemos na pesquisa da Acesso Digital que analisa os sites dos candidatos.O território livre e “sem lei” da web deu margem para vídeos-denúncia e muita mobilização militante, bem como ao debate com comentários em tempo real via Twitter, municiado pelo mesmo material retrocitado.Importante ressaltar que ao invés de se utilizar a web como Ágora grega do debate, a maioria se fechou em suas posições e ficou no monólogo da acusação e reafirmação de voto, repetindo os discursos oficiais e da grande mídia.Aliás, o tema “liberdade de expressão” foi o que mais gerou embates e manifestações, pouco fundamentados na causa em si e em seu aspecto filosófico-conceitual e mais representantes dos partidos e interesses defendidos.Candidatos com pouco tempo de mídia tradicional aproveitaram para usar o espaço virtualmente ilimitado para aprofundar suas propostas; mas me parece que faltou captar o diálogo e convergir as manifestações populares e espontâneas, bem como responder aos contatos feitos: a mim ao menos ficaram faltando retornos quanto à DMs no Twitter, postagens no Mural do Facebook e nas mensagens privadas desta rede social.O uso de aplicativos do Facebook e do Orkut é fundamental e foi explorado, mas poderia ser mais lapidado, dando atenção à estética e ao uso de ferramentas que já caíram no gosto dos usuários, como o quiz, por exemplo, além de se utilizar linguagens mais jovens, como a web pede.Faltou também visão estratégica para usar serviços mais atuais como os geolocalizadores – Foursquare, Brightkite etc – e nem sequer usar redes que não têm tanto tráfego assim – fato que fez candidato parar de atualizar o perfil há dois meses do fim da eleição: pior foi não tirar o botão de link da home da página principal.Outro fator é a convergência em busca de parcerias estratégicas e doações. Apenas para citar um exemplo, por que não buscar um concurso de camisas de campanha feitas por simpatizantes e com renda revertida para a campanha? Recursos e disseminação viral, dobradinha campeã de qualquer elei(a)ção.

Hesitação ante ao clique

Muito provavelmente devido à indução das pesquisas e da mídia – que mostraram a eleição decidida com extrema antecedência e por muito tempo a polarizaram entre apenas dois candidatos – parece que os internautas entraram nesta eleição sem tanta motivação como a que vimos no Rio, quando da disputa de Paes e Gabeira pela prefeitura da cidade. Vale registrar que Gabeira não conseguiu repetir o mesmo feito em sua atual eleição para governador.Afirmar que houve pouco envolvimento é fácil; difícil é entender por que não se buscou envolver mais o eleitor no processo democrático – ou porque este não quis se envolver.No caso do Rio é relativamente fácil: Cabral, atual governador, conta com apoio amplo e irrestrito do governo federal e conseguiu, estatisticamente provado, reduzir a insegurança – mal que afligia 12 em cada 10 cariocas. O fato da educação andar de mal a pior é pouco ou nada percebido pelo eleitorado e pouco ou mal explorado pelos adversários nesta campanha.Agora é dar boot no sistema eleitoral, F5 para refrescar a memória do eleitor e alt+tab para mudar para o programa cidadania 2.0 para que, enfim, o eleitorado brasileiro entenda que se ele muda e participa, o Brasil muda e cresce junto: é a propriedade emergente da biologia explicando o potencial inerente da colaboração.

A realidade é que o virtual não atualizou a atualidade

O que mais se acompanhou no Twitter, por exemplo, foram ataques de pessoas com posturas previamente definidas e muita zoação. O desrespeito à figura humana dos candidatos se baseou no pseudo-anonimato das interfaces frias que serviam de escudo no calor do embate e acusações mútuas, a maioria oriunda de pessoas mal intencionadas ou mal informada, como ressalta bem Cris Dias.Por outro lado havia “novas emissoras” e “centros de opinião”, como os comentários ao vivo de Luis Nassif na Twitcam e tantos outros ainda anônimos no processo de se tornarem novos formadores de opinião.Tudo muito envolto ainda em emoções e manifestações do ego e pouca colaboração por parte do eleitorado na construção de propostas – espero estar cometendo uma gafe aqui e que eu é que não tenha visto, ouvido ou acessado uma proposta pioneira; se tiver alguma, por favor, gostaria de tomar conhecimento: algo que tenha levado à interação do cidadão e não apenas à participação.

Democracia é para poucos – participando do passado, interagindo com o futuro

Explico: quem interage faz parte do Todo e tende a seguir compondo o processo, enquanto quem participa toma parte de um momento, sendo uma troca mais pontual – ou seja, o processo democrático continuou igual, apenas através de novos meios: as pessoas querem participar do (seu) momento, mas não interagir (com o país). Antigos hábitos com novas tecnologias dá em…? Spam e desrespeito pelo cidadão.Muitos candidatos sem responder aos contatos feitos via Twitter, Facebook, e-mail e sites sem poder de interação e pouca integração com redes sociais e aplicativos.Algo que tarda – e muito – em ser aplicado é um sistema de busca eleitoral inteligente: determinar parâmetros de pesquisa para a indicação de candidatos de acordo com determinadas características do eleitor.

Assim na web como em qualquer canto

Mas este (mau) uso de novas tecnologias por parte dos candidatos não se restringe à web: espalha-se por toda rede digital.Vejamos o uso de pessoas portando TVs de LCD nas costas e passando propaganda política para divulgar o candidato em meio ao povo em lugares e de maneira inusitada. Ou ainda uma Kombi antiga que circula com moderníssima TV de LCD de 3 metros.A primeira reação de risada seguida de gargalhada e palavras como “genial” dão espaço para a preocupação com as costas do novo Homem-TV; mas tudo se dilui em meio à ilusão do progresso tecnológico e emerge como opinião cortante: uso de novas tecnologias com antigos hábitos!São novos hardwares com antigos softwares: monólogos políticos ao invés de diálogos cívicos.Ao invés de TVs, deveriam levar postos de interação, onde o cidadão poderia escrever ou gravar sua crítica, dar sua sugestão ou simplesmente elogiar e manifestar seu apoio. Integra e ainda cria conteúdo.

Moderno, não?

Se este tipo de uso é ou não uma boa tática é questionável.Para convergir os interesses, sim, é: aumenta a lembrança do candidato incluir no mix de comunicação maneiras inusitadas de aparecer em lugares ainda não ocupados pela concorrência – enfim, o trivial da comunicação e do marketing; resposta default.Simplesmente você tem que estar nos twitters e demais praças da vida.Mas ainda me parece que o público-votante, principalmente das classes A, B, C – não quer mais só ouvir falar: quer debater e dialogar para construir este país. Ou ao menos deveria.Está se atuando e debatendo de maneira ainda 1.0 enquanto deveríamos estar construindo o país 3.0. A saber: 1.0, era do monólogo e do poder centralizado; 2.0 fase do início da convergência e descentralização; 3.0 consolidação dos esforços em uma Era da Consciência coletiva erigida pelo esforço individual.

A voz digitalizada do meio

Filipe Dias, meu aluno na ESPM-Rio, relatou a experiência de sua segunda eleição presidencial tangibilizando a relevância da web neste processo da seguinte maneira:- Os sites dos candidatos serviram para acompanhar sua história, seus vídeos de campanha, suas propostas e um clipping de notícias veiculadas em outros meios sobre eles.- Os sites de busca serviram como referencial, principalmente na procura de históricos e notícias antigas que estavam esquecidas ou que não eram de meu conhecimento.- Através de sites como Ficha Limpa e Transparência deu para acompanhar a situação dos candidatos e outras informações bastante importantes como freqüência e relevância das propostas.- Através dos portais deu para tirar dúvidas referentes à votação, além de acompanhar análise de jornalistas e as pesquisas de intenção de votos.- Através do Twitter e do Facebook deu para acompanhar em tempo real como as pessoas (eleitores, políticos e jornalistas) se comportam durante os debates e durante as notícias que saíam. Em relação aos candidatos, uma aproximação maior, mas ainda com mínima interação.O também aluno Leonardo Solé afirmou ter recebido muitos e-mails de amigos, mas acabou não lendo a maioria já que “não é muito de política”.Para ele, houve ataques mútuos, mais de Serra contra Dilma. Já para Filipe, o meio foi mais informativo e de auto-informação dos candidatos. Para ele, os ataques ocorreram no momento em que não havia argumentação ou que a “paixão” tomou conta. “Não vi nenhum ataque claro entre os candidatos, mas vi candidatos de cargos inferiores aos da presidência, super valorizar os presidenciáveis”.Para a residente da capital e budista Ana Lúcia Almeida, a web “serviu para acompanhar superficialmente as polêmicas que foram aparecendo, para se informar sobre as estratégias de campanha dos três principais candidatos a Presidente e para não ter que acompanhar pela TV”.

A voz nas vias além do digital

Fernando, 27, cearense que trabalha como garçom no Rio, incentiva os colegas de trabalho a usar e-mail e se incluir digitalmente, mas ele mesmo não gosta de política e não busca interagir com ela nos meios digitais – muito menos seus colegas.Enquanto escrevo este artigo, mãe e filho conversam na mesa atrás de mim em um restaurante conhecido da classe média carioca em plena Zona Sul. No meio do burburinho ouço, enquanto passa a pesquisa derradeira dos candidatos no JN, que “já que a Dilma vai levar mesmo tendo segundo turno, o jeito é votar nela logo pra não ter que ir mais uma de uma vez votar”. E estamos falando em “elite”…

A voz nas vias aquém do digital

Após este registro, contemplo as cenas dos comícios e dos correligionários tomados pela emoção da paixão, além de toda razão, inflando comícios e comícios inflando discursos.A cena por um lado bela é diametralmente grotesca, pois não contempla a troca de ideias e a construção do diálogo cívico; um belo momento para se refletir sobre o aspecto do que é democracia. A web e seus encontros multifacetados nos convidam a esta reflexão.

A pergunta de 100 mil votos

O que afasta o eleitor de interagir e participar do processo eleitoral de maneira mais interativa? Será que é a descrença na política, a falta de cultura de interação ou um misto de ambos?Pelo visto, por mais que haja novas ferramentas estas não causarão mudança qualquer enquanto não houver uma mudança de mentalidade; que, paradoxal, sutil e lentamente, ocorrerá devido às mudanças impostas pelo confronto da mente estagnada com as novas ferramentas.A abertura para a interação democrática está aí para todos; conecta-se quem quer. Ser cidadão é, com o advento digital, questão de vontade de poder. É a rede conscientizando o indivíduo de seu real poder e valor.A verdadeira revolução humana se dará na e através da rede. E o Brasil tem todo potencial para conduzir este processo.

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